A prorrogação é usada no futebol quando um jogo termina empatado em uma fase eliminatória — o mata-mata. Em vez de decidir nos pênaltis imediatamente, as equipes jogam dois tempos extras de 15 minutos cada. A regra existe para dar às equipes uma chance real de decidir o confronto jogando bola antes de recorrer à disputa por pênaltis, considerada por muitos treinadores e torcedores uma forma mais “fria” de eliminar um adversário.

Como funciona a prorrogação
Quando um jogo de mata-mata termina empatado após os 90 minutos regulamentares, o árbitro determina a prorrogação. São jogados dois períodos adicionais de 15 minutos — totalizando 30 minutos extras. Os jogadores têm um breve intervalo entre o segundo tempo e a prorrogação para recuperar o fôlego, e outro intervalo mais curto entre os dois tempos extras, sem trocar de vestiário.
Antes do início da prorrogação, o árbitro faz um novo sorteio para definir de que lado cada equipe vai atacar — assim como acontece antes do início da partida. Isso evita que um time jogue os 30 minutos extras sempre no mesmo sentido, o que poderia representar vantagem em campos com inclinação, vento ou sol de frente.
Se ao final da prorrogação o placar ainda estiver empatado, a decisão vai para os pênaltis.
Substituições na prorrogação
Na Copa do Mundo, cada equipe pode realizar até cinco substituições durante o jogo. Se ainda restar substituições disponíveis ao início da prorrogação, elas podem ser usadas normalmente. Isso muitas vezes determina a estratégia dos técnicos: guardar uma troca para o momento certo da prorrogação.
Desde a Copa do Mundo de 2022, existe ainda uma sexta substituição exclusiva para jogos que vão à prorrogação — uma regra criada pela International Football Association Board (IFAB) justamente para reduzir o desgaste físico dos jogadores nos 30 minutos extras. Ou seja: mesmo que a equipe já tenha usado as cinco trocas regulamentares, ela ganha o direito a mais uma alteração especificamente para a prorrogação.
Prorrogação x morte súbita
Antigamente, o futebol usava o sistema de “gol de ouro” — também chamado de morte súbita —, onde o primeiro gol marcado na prorrogação encerrava o jogo imediatamente. O caso mais lembrado aconteceu na Copa do Mundo de 1998: Laurent Blanc marcou para a França contra o Paraguai nas oitavas de final, no primeiro gol de ouro da história de uma Copa. Quatro anos depois, na final de 2000 da Eurocopa, a França também venceu a Itália com gol de ouro de Trezeguet.
Esse sistema foi abolido pela FIFA em 2004, após críticas de que ele deixava as equipes excessivamente cautelosas na prorrogação — com medo de sofrer o gol fatal, muitos times passavam a jogar na defensiva em vez de buscar a vitória. Hoje, a prorrogação é jogada integralmente, independentemente de quem marcar primeiro, o que costuma gerar jogos mais abertos e disputados.
Prorrogação na Copa do Mundo 2026
Na Copa 2026, a prorrogação está prevista para todas as fases do mata-mata, da rodada de 32 até a final. Com 48 seleções participantes, há mais jogos eliminatórios — e, consequentemente, mais chances de ver disputas emocionantes decididas na prorrogação e nos pênaltis.
Historicamente, as prorrogações mais memoráveis da Copa do Mundo envolvem episódios como o gol de Geoff Hurst na final de 1966, a final de 2006 entre Itália e França (com o golpe de cabeça de Zidane em Materazzi), e vários duelos dramáticos nos últimos torneios.
A própria final de 2022, entre Argentina e França, é um exemplo recente: o jogo terminou empatado em 3 a 3 após os 90 minutos regulamentares e seguiu empatado ao fim da prorrogação, sendo decidido nos pênaltis com a vitória argentina. É esse tipo de dramaticidade que faz da prorrogação um dos momentos mais tensos do futebol de Copa do Mundo.
